Restaurante Conventual



Talvez levado pela onda de euforia gastronómica que o Lisboa Restaurant Week trouxe aos apreciadores de boa comida da capital, desafiei alguns amigos para irmos experimentar um dos restaurantes que participam nesta iniciativa. Assim sendo, foi um grupo de quatro que se juntou para ir degustar o menu proposto pelo Restaurante Conventual.

Restaurante Conventual

Ventilado como uma das referências da restauração lisboeta, o Conventual é um espaço com uma decoração tradicional e que prometia uma agradável refeição.

De entrada saboreei um fantástico Queijo de Cabra Gratinado com Compota de Morango sobre Salada de Rúcula – um manjar dos deuses, que me fez esfregar as mãos de contentamento e augurar um futuro brilhante ao prolongamento de uma refeição que teria forçosamente de dar certo (na memória estava ainda a desilusão que a experiência XL tinha trazido).

Contudo, e como sempre acontece quando as expectativas se elevam (já dizia o outro que “prognósticos só no fim do jogo”), acabei também por sair semi-defraudado desta experiência, como perceberão já de seguida.
Assim, no que respeita ao Prato Principal, dividi com outro dos intervenientes do manjar uma dose de Bifinhos de Vitela com Vermute e Mostarda e outra de Pato com Champagne e Pimenta Rosa com Arroz do Convento do “Bom Sucesso”. E foi aqui que as expectativas começaram a defraudar-se…

Passo a explicar: a meu ver, acho inadmissível que um restaurante como o Conventual (ou qualquer outro em que o preço médio seja superior a € 15/€ 20) sirva acompanhamentos, nomeadamente, batatas fritas, que sejam congelados. Pode ser um preciosismo exagerado, mas por uma refeição que custe € 30 (que foi a conta final, por pessoa, no Conventual) penso que tenho o direito de exigir que na cozinha alguém tenha o trabalho de me cortar, aos palitos ou às rodelas, algumas batatas que tenham vindo directamente da terra (sem paragens pelo congelador!) para depois fritar…

Perdoem-me se acham que estou a exagerar, mas acho inconcebível que tal não aconteça…
Continuando, importa salientar que o molho dos Bifinhos era muito bom…Muito bom mesmo! Só que um prato que tinha tudo para ser óptimo, passa a ser banal por apresentar, como acompanhamento, batatas fritas congeladas! Enfim…

Quanto ao Pato, gostei do Arroz que o acompanhava (talvez ainda na ressaca do episódio com as batatas fritas, em que senti que qualquer acompanhamento que não aquele serviria melhor que o que foi apresentado) e achei o prato, no cômputo geral, bastante bom.

Adiante, e esquecendo o Prato Principal, chegamos às Sobremesas, nas quais optei, de entre as quatro que havia à escolha, pela Delícia de Chocolate Valrhona. Do que provei (e digo provei, porque não comi tudo…), devo dizer que não deslumbrou, antes pelo contrário…

Como nota adicional devo referir que a apresentação dos pratos foi decaindo à medida que a refeição avançava: se o Queijo de Cabra parecia apetitoso só de olhar, os Bifes e o Pato chamaram menos à atenção ao nível da aparência, tendo a sobremesa parecido ser autenticamente “despejada” para um prato totalmente despido.

Quanto ao vinho, saboreámos um Duas Quintas, que provou ser uma óptima escolha.

Assim sendo, considero que, no cômputo geral, a refeição ficou claramente prejudicada pelo acompanhamento com que foram servidos os Bifinhos de Vitela. Ao já referido, acresce também o facto de a Sobremesa apresentada não estar à altura de uma casa que é tida como uma das melhores de Lisboa.

Por último, destaco ainda um comentário sobranceiro e arrogante por parte de um dos empregados de mesa, que não caiu nada bem no final de refeição.

Quanto ao manjar propriamente dito, apesar de prometer muito, não cumpriu com as expectativas…

Saudações gastronómicas,

João

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