Como este blog tem uma rubrica de viagens e só daqui a uns meses é que se perspectiva uma viagem, vou falar-vos da que fizemos na Páscoa. Vai repartir-se em 5 posts, portanto estejam atentos.
A primeira dificuldade foi escolher o destino. Os voos não podiam ser muito caros. Então restava Londres, Milão e Paris. Para Espanha não queríamos ir. Amesterdão também era um desejo, mas para além do voo ser mais caro, o André já lá tinha ido. Londres o João Dinis já conhecia. Paris o João Dinis ia no mês seguinte. Então sobrou Milão. Começou então a ganhar forma algo que eu já queria fazer e que depois fomos os três planeando. Viajámos quatro pessoas, mas o Pedro Lagoa nunca soube muito bem para o que ia, só sabia que ia viajar.
Quando viajo gosto sempre de ter tudo bem planeado. Então nada como começar a planear a viagem e principalmente a analisar os custos. Quando não se tem muito dinheiro, isto acaba por se tornar essencial, dá para termos uma ideia do que vamos gastar e durante a viagem sabemos sempre se podemos cometer algum excesso ou não. Agora vem a parte que ninguém acreditava ser possível. Milão, Nice, Mónaco, Cannes, St. Tropez, Cinque Terre, Pisa e Florença em 5 dias.
Dia 1
Partida muito cedo de Lisboa rumo ao aeroporto de Malpensa em Milão. Como na altura o João Dinis era o único que trabalhava ele foi só no final do dia. Nós decidimos aproveitar para dar umas voltas em Milão. No aeroporto foi muito fácil arranjar um transporte acessível para a cidade. Comprámos uns bilhetes de autocarro que até saíram mais baratos por sermos três. O destino foi a estação dos comboios, Milano Centrale. Tínhamos que guardar as malas em algum lado e ali era o local indicado. Pois havíamos de ali voltar para apanhar um autocarro para o aeroporto de Linate onde íamos buscar o João Dinis e o carro que tínhamos alugado pela internet. Malas guardadas e partimos de Metro para a zona mais conhecida da cidade: Galerias Vitorio Emanuelle II e Duomo. Almoçámos no Mc Donald’s, visto que o orçamento era apertado, e também porque é considerado um dos restaurantes mais seguros para comer em todo o mundo.
Estando na Piazza Duomo, não dava para não entrar na Catedral. Um monumento gigante de estilo gótico a que ninguém fica indiferente. Ou não fosse a quarta maior igreja do mundo. Há ainda a possibilidade de subir ao topo, o que deve proporcionar uma vista excelente, no entanto considerámos o preço bastante elevado e decidimos não subir. Outro pormenor é a existência da Madonina, uma estátua da Virgem Maria, representando o ponto mais alto do edifício e em tempos o ponto mais alto de Milão. Quando foi construído o Edifício Pirelli, que é actualmente o mais alto da capital da Lombardia (espero não estar enganado), foi colocada uma réplica da Madonina, para que a estátua continuasse a representar o ponto mais alto da cidade.
Estávamos numa das capitais da moda, portanto não podiam ser deixadas de lado as compras. No nosso caso, decidimos deixá-las de lado e visitar apenas as lojas. Querem encontrar roupa dos mais conceituados estilistas e das mais conceituadas grifes (como dizem os brasileiros)? Este é, certamente, um dos locais indicados. Para além disso não foi difícil encontrar roupa bem mais barata que em Portugal. Para quem não está habituado a tanto luxo junto isto impressiona.
Como a melhor maneira de conhecer uma cidade é andando, foi isso mesmo que fizemos. Um passeio pelas redondezas da Piazza Duomo. Atravessámos a via Dante, uma rua fechada ao trânsito com bastantes lojas e cafés, em direcção ao Castelo Sforzesco, fez lembrar os que vemos nos filmes. Gostei bastante. Para mim turismo não é só andar de um lado para outro feito louco a querer conhecer tudo (como também fizemos), por isso sentámo-nos no Parco Sempione e desfrutámos do excelente dia que estava, observando turistas e milaneses, a jogar à bola, a namorar, a brincar nos baloiços… Acabou por ser bastante engraçado. Aposto que por esta altura já nos tínhamos cruzado com duas ou três top models.
Depois de mais umas voltas a pé, apanhámos o metro e fomos jantar. Dirigimo-nos até uma zona que eu tinha pesquisado na internet que supostamente seria agradável, o Corso Como. Confirmou-se. Escolhemos um restaurante com uma esplanada no meio da rua, estilo Rua Augusta em Lisboa, mas com menos confusão. Pizzas enormes, a um preço muito razoável. Tudo o que procurávamos. Muita comida, boa e a um preço dentro do orçamento. Nas redondezas, encontrámos alguns bares onde executivos tomavam uma bebida depois do trabalho. Sempre com grande estilo.
Regressámos à estação dos comboios, levantámos as malas e lá fomos apanhar o autocarro para Linate. Não fosse um pequeno problema com o cartão de crédito e o aluguer do carro teria corrido muito bem. O problema foi nosso, portanto nada a dizer da easycar. Tinha de longe as melhores tarifas. Principalmente porque nenhum de nós tinha 23 anos.
O avião do Dinis lá chegou. À espera estava também um tio dele que vive em Milão e que nos levou a uma zona de bares, Navigli se bem me recordo. Aproveitou a noite para nos explicar algumas coisas sobre Milão. Como por exemplo para que serviam os Naviglios, que são uns canais que foram construídos para que se pudesse fazer chegar à cidade todo o tipo de bens. Leonardo da Vinci, construiu um sistema de eclusas extremamente inovador para a época que permitiu a circulação de barcos em zonas que existiam alguns desníveis. Foi a partir daqui que se facilitou a construção da Catedral, porque era a forma mais adequada de fazer chegar à cidade os grandes blocos de pedra.
Dia terminado, ainda fomos convidados a ficar a dormir um pouco. Mas não havia tempo a perder. Fizemo-nos à estrada. O destino era Nice. Num próximo post seguem as aventuras desta viagem.










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